Crédito de carbono: O que é e como a sua empresa pode se beneficiar

O conceito de crédito de carbono foi criado em 1997, a partir da assinatura do Protocolo de Kyoto. Diversas empresas brasileiras já estão se beneficiando com a negociação de carbono e anunciando metas para a redução da emissão.


Credito de carbono

A princípio, o conceito de crédito de carbono parece atual, especialmente se analisarmos as recentes notícias de que as empresas estão compensando a sua emissão. Por trás de toda essa movimentação temos que considerar um ponto muito importante na história, ainda mais se partimos da urgência que medidas sustentáveis estão em alta.

Foi em 1997 que criaram o conceito de crédito de carbono, a partir da assinatura do Protocolo de Kyoto. Ao longo desse tempo, o Brasil reassumiu seu compromisso e atualmente passa por um momento de discussão da criação de um mercado regulado de carbono. Um estudo da consultoria McKinsey aponta a possibilidade do Brasil liderar o mercado voluntário de crédito de carbono em 2030, com potencial para atingir US $2,3 bilhões.

Entretanto, para termos uma melhor compreensão do que é crédito de carbono, como ele é negociado e como ele pode beneficiar sua empresa ou mesmo entender de que forma ocorre a compensação, temos que iniciar por alguns pontos importantes que vamos abordar neste artigo:

  • Crédito de Carbono: Por que o Brasil pode liderar o mercado de carbono?

  • Crédito de carbono: O que é?

  • Como é a venda de crédito de carbono

  • Crédito de carbono: Como se contabiliza?

  • Onde compro os créditos de carbono

  • Brasil: Os esforços para reduzir os efeitos da mudança climática

  • Gases de Efeitos Estufa: Estudos para um mercado regulado no Brasil

  • Mercado de Carbono: Como as empresas pretendem compensar suas emissões

  • Brasil: Quais empresas anunciaram suas metas de redução de emissões de carbono


Crédito de Carbono: Por que o Brasil pode liderar o mercado de carbono?

O Brasil é, de fato, um país muito grande. A partir deste exercício de imaginação, podemos agora explicar os motivos que tornam o país uma grande potência a fim de liderar e ainda, possuir vantagens intrínsecas. Estamos falando da maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica. Este ponto principal é uma das opiniões dos consultores e analistas da McKinsey.

Segundo o relatório, a demanda mínima por créditos voluntários seria de US $1,4 bilhão, mas de qualquer forma a emissão atual é inferior às estimativas para a próxima década. Entretanto, um dado relevante é a avaliação que acontece no tempo correto, justamente pelo momento de regulação de carbono no País.

Neste cenário, o Brasil poderia responder por 15% do potencial total da oferta de soluções baseadas na natureza, percentual que supera de longe as possibilidades de países como Estados Unidos (3%), China (2%) e Rússia (2%).


Crédito de carbono: O que é?

Destacamos que foi em 1997 que criaram o conceito de crédito de carbono. Foi através desse acordo internacional que os países desenvolvidos, precisam reduzir as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), em relação aos níveis de 1990.

O Brasil seguiu esse acordo e ao longo dos anos foi ratificando a sua participação.

Em resumo, o principal objetivo do protocolo foi favorecer a redução de gases que provocam o efeito estufa e que trazem prejuízos para o planeta.

Partindo do ponto de que o protocolo de Kyoto foi o alerta para uma maior atenção ao meio ambiente, nesse sentido os créditos de carbono funcionam como certificados de comprovação de que uma empresa ou nação reduziu a emissão de gases. O acordo apresentava uma forma de mensurar as quantidades: Uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) equivale a um crédito de carbono.

Estas medidas foram pertinentes com o intuito de atingir as metas de produção de carbono no mundo. A seguir, alguns exemplos mais comuns:

  • Projetos de reflorestamento;

  • Prevenção do desmatamento;

  • Projetos de criação/manutenção de usinas de energia renováveis;

  • Investir em marketing e campanhas que incentivem o consumo consciente;

  • Fontes de energia alternativas que não sejam de fontes esgotáveis, como por exemplo, energia solar (Sol), eólica (ventos) e geotérmica (calor interno da Terra).


Como é a venda de crédito de carbono

Segundo a Agência Brasil, o território nacional é repleto de potencialidades para o mercado de venda de carbono. Por ser um país com ampla capacidade de gerar ativos naturais, além de sua quantidade de área verde que se preservada em longo prazo, garante a eliminação de CO2 nos próximos anos. Atualmente, não há uma legislação e precificação própria para o mercado de carbono no Brasil, sendo que as transações, se dão na maioria das vezes de forma internacional.

O potencial a nível nacional, segundo os defensores deste mercado, garantiria que os grandes emissores de CO2 fossem responsabilizados, de forma a compensar essa emissão. Por outro lado, as empresas “limpas” poderiam se beneficiar financeiramente a partir da venda dos ativos.


Crédito de carbono: Como se contabiliza?

Anteriormente, já explicamos que uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) equivale a um crédito de carbono. Isso é uma métrica que auxilia na definição da meta de redução. De certa forma, é também conhecido por criar todo um mercado em torno dos créditos de carbono.

Com esses números avaliados e verificados, considerando o contexto atual, a cada vez que um país ou empresa consegue ficar abaixo da sua meta de emissão de carbono, ele é notificado pelo MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) e recebe os devidos créditos de carbono.

Esses mesmos créditos podem ser comercializados tanto para países ou empresas que não conseguiram ficar dentro da meta.


Onde compro os créditos de carbono?

Créditos de carbono podem ser gerados a partir da Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) ou de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Os títulos podem ser negociados diretamente entre comprador e vendedor ou de forma indireta no mercado secundário regulado pela bolsa de valores. Este assunto também foi tema de um outro artigo pelo Estadão, na seção Summit Agro que explicou o crédito de carbono: Como negociar na prática.


Brasil: Os esforços para reduzir os efeitos da mudança climática

Em relação aos esforços brasileiros para diminuição dos efeitos da mudança do clima, o país se comprometeu a reduzir suas emissões de GEE em 50% até 2030, em comparação com os volumes observados em 2005, além de atingir uma meta de neutralidade de carbono até 2050.


Gases de Efeito Estufa: Estudos para um mercado regulado no Brasil

A adoção de instrumentos de precificação (das emissões) de Gases de Efeito Estufa (GEE) vem crescendo mundialmente e em 2021, já era encontrada em 64 jurisdições. Neste contexto, um estudo do Centro de Estudos em Sustentabilidade (FGVces) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), visa auxiliar o debate sobre a precificação de carbono, na forma de política pública, com o propósito de reduzir as emissões de GEE no Brasil.

O estudo apresenta dez recomendações para elementos estruturantes necessários para criar e implementar um mercado de carbono regulado no Brasil do tipo cap-and-trade, também conhecido por Sistema de Comércio de Emissões (SCE). As recomendações são oriundas de estudos e iniciativas lideradas pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV EAESP1 (FGVces) no tema precificação de carbono entre 2012 e 2021, incluindo não só pesquisas aplicadas, mas também uma simulação de SCE conduzida em parceria com representantes do setor empresarial brasileiro.


Mercado de Carbono: Como as empresas pretendem compensar suas emissões

Anteriormente, explicamos como é a negociação dos créditos de carbono: Um mecanismo que dá oportunidade às empresas atingirem as suas metas de emissões de gases, ou seja, formas para reduzir a emissão de gases que agravam o efeito estufa. De forma mais sintética, esses esforços são relacionados aos GEE – essa mesma sigla já comentamos no tópico anterior que por sua vez impactam nas mudanças climáticas.

De uma maneira mais objetiva, ficou convencionado que uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono. Para as emissões de outros gases, a regra de conversão é a mesma seguida.

Partindo dessa oportunidade, as metas podem variar entre zerar, diminuir ou compensar as emissões de carbono ao longo dos próximos anos, ou mesmo décadas.

A partir desses esforços e da importância de transformar o planeta em lugar melhor, muitas empresas já firmaram seus compromissos.



Brasil: Quais empresas anunciaram suas metas de redução de emissões de carbono


Apple

Em outubro de 2021, a Apple divulgou que aumentou a quantidade de fornecedores que utilizam energia limpa ao longo do último ano. Esse resultado faz parte da meta para a empresa atingir o objetivo de compensar as emissões GEE de seus produtos, além da cadeia de fornecimento até 2030.


Ambev

A empresa brasileira é dedicada à produção de bebidas, entre as quais cervejas, refrigerantes, energéticos, sucos, chás e água. É a 14ª maior empresa do país em receita líquida e controla cerca de 69% do mercado brasileiro de cerveja. Foram anunciadas duas metas de sustentabilidade: Redução das emissões de carbono em 25% até 2025 e zerar as emissões líquidas até 2040.


Amazon

A empresa é uma das cinco maiores empresas de tecnologia e anunciou em 2019 o compromisso para compensar as suas emissões de carbono até 2040. Para isso, a Amazon se juntou à startup BovControl para criar a plataforma Sabiá, com o objetivo de adquirir créditos de carbono e atingir suas metas de compensação.


Boticário

O Boticário é uma empresa brasileira e é a maior franquia de cosméticos e perfumes do mundo. Em junho de 2021, a empresa anunciou que 100% da energia utilizada em suas fábricas é de fontes renováveis.


Natura

Empresa brasileira com atuação no setor de produtos cosméticos, a Natura está presente também na Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru, Venezuela, França, Estados Unidos, além de outros 63 países de forma indireta. Desde 2007 compensa todos os poluentes produzidos pelas atividades com apoio de projetos socioambientais.


iFood

A foodtech brasileira é líder da América Latina, com atuação no ramo de entrega de comida pela internet. Marca presença, também, na Argentina, no México e na Colômbia. A empresa anunciou a compra do equivalente a mais de 115 mil toneladas de CO2 para neutralizar seu impacto ambiental.


Unidas

Recentemente a Unidas e a Localiza se uniram e com isso, se tornam a maior empresa de locação e terceirização de frotas do Brasil. Antes da fusão, a Unidas já disponibilizava a opção de compensação de carbono dentre as preferências dos consumidores ao alugar um carro. Ou seja, a quantidade de quilômetros percorridos e a consequente emissão de GEE, tudo isso mediado e com possibilidade de serem mensuradas e compensadas por meio da compra de créditos de carbono.

Em conclusão, a urgência para que as pessoas contribuam para um mundo melhor está em alta e não é somente uma estratégia de sustentabilidade. Trata-se de um compromisso e preocupação com o impacto das emissões de gases no nosso meio ambiente e consequentemente, estamos vulneráveis enquanto espécie.

Se transportarmos esse mesmo conceito para o ambiente corporativo, temos outros processos parecidos e metodologias que contribuem para um ambiente eficiente nos processos e sustentabilidade dos negócios, inclusive, para melhorar a experiência e a satisfação do consumidor. Estamos falando do Blueprint de serviços. Em outro artigo do blog Napp, explicamos o que são planos de serviços e de que forma otimizar os processos de jornada do cliente, oferecendo serviços cada vez mais eficientes. Leia aqui.